|
Apesar de hostilizado pelos demais docentes - não era comum um jovem tornar-se professor - Liebig permaneceu determinado e, convencido que possuía a experiência necessária para tal, decidiu montar um laboratório no único edifício disponível da Universidade, um anexo abandonado. Tal laboratório serviria de modelo a todos os demais laboratórios no mundo, sendo que, os alunos de Liebig dominaram a arte de soprar vidros. Mesmo em condições precárias, Liebig criou fama e atraiu estudantes de toda a Europa e Estados Unidos. Muitos dos seus alunos vieram posteriormente a tornar-se grandes cientistas, alguns laureados com o prémio Nobel em física e biologia.
Liebig também revolucionaria a produção de alimentos, aplicando os princípios da química, partindo da conclusão que as plantas alimentícias cresceriam melhor e teriam maior valor nutritivo se fossem adicionados elementos químicos na quantidade mínima e adequada ao seu cultivo. Deste modo, von Liebig chegou à famosa fórmula NPK, iniciando a era dos fertilizantes químicos. Interessante é que no mesmo período um outro estudioso sobre a composição química dos nutrientes, Julius Hensel, propunha que pós de rocha fariam o mesmo efeito sem desequilibrar o meio ambiente e ainda com baixos custos.
Ambos promoveram na Alemanha debates acalorados sobre como evitar a fome e proporcionar o bem-estar nutricional. Julius Hensel obteve pouco reconhecimento pelo seu trabalho, além de ter sido processado e seu livro Pães de Pedra ter sido censurado. Somente em 1997, o seu livro foi reeditado aproveitando-se o mercado da remineralização dos alimentos.
Justus von Liebig continuou suas pesquisas sobre o metabolismo e a fisiologia, estudando quais as melhores maneiras de nutrir corpos adoecidos. Mesmo erroneamente acreditava que o corpo era fortalecido pela ingestão de proteína, e muitos ainda acreditam, o que levou a criação de dois produtos muito difundidos no século 20: Liebig's Infant Food (alimento lácteo para substituir o leite materno) e Liebig's Fleisch Extract (extrato de carne líquido).
Há um mistério em torno da morte de Justus von Liebig, de acordo com documentos da época Liebig teria cometido suicídio, porém nada mais foi documentado a tal respeito. Tanto a sua lápide como as suas últimas vontades demonstravam que Liebig se teria arrependido de tentar "consertar a Natureza" através dos compostos químicos.
Em sua homenagem, no fim da 2a Guerra Mundial, a Universidade de Giessen foi renomeada para Justus Liebig University Giessen e o seu laboratório transformado em museu. |