cfq 7º ano

A Via Láctea

Onde fica o Sistema Solar

Via Láctea - A nossa galáxia

Ilustração artística da Via láctea
Fig. 1 – Ilustração artística da Via láctea

Se olharmos para o céu numa noite limpa e escura, longe da poluição luminosa, veremos uma ténue banda de luz a atravessar os céus. Esta é a Via Láctea, lar do nosso Sistema Solar. Aqui existem pelo menos muitos milhões de estrelas (estimativas mais recentes proporcionam um número que rondam as 400 mil milhões), os seus planetas, milhares de enxames e nebulosas, incluindo pelo menos quase todos os objetos do catálogo de Messier que não são galáxias (poder-se-á considerar dois enxames globulares como possíveis exceções, pois estão a ser, ou foram recentemente, incorporadas ou importadas para a nossa Galáxia, oriundos de galáxias anãs que estão atualmente a passar pela nossa Via Láctea: M54, da galáxia elíptica anã do Sagitário, e possivelmente M79 da anã de Cão Maior. Todos os objetos da Via Láctea orbitam um centro de massa comum, chamado Centro Galáctico.

Como uma galáxia, a Via Láctea é gigante, pois a sua massa situa-se provavelmente entre os 750 mil milhões e 1 bilião de massas solares, e o seu diâmetro é de cerca de 100 000 a 120 000 anos-luz. Investigações realizadas revelaram que a Via Láctea é uma galáxia espiral do tipo Sb ou Sc da sequência de Hubble. Por isso, a nossa Galáxia tem uma componente discal pronunciada exibindo uma estrutura espiral, e uma região nuclear proeminente que faz parte dum componente bojo/halo. Não é ainda claro se tem ou não uma estrutura barrada (para ser do tipo SB), mas um número crescente de investigações já deu provas da sua existência, por isso a Via Láctea poderá parecer-se com M61 ou M83, e é melhor classificada como SABbc.

Em 2004, uma equipa de astrónomos estimou a idade da Via Láctea em cerca de 13 600 ± 800 milhões de anos.

Onde se encontra a Via Láctea?

A Via Láctea pertence ao Grupo Local, um pequeno grupo de 3 grandes galáxias e de aproximadamente 35 outras mais pequenas, e é a segunda maior (a maior de todas é a Galáxia de Andrómeda, ou M31).

No entanto, parece ser o membro mais massivo deste grupo. M31, a mais ou menos 2.9 milhões de anos-luz, é a maior galáxia vizinha, mas um outro número de ténues galáxias estão muito mais próximas: muitas das anãs do Grupo Local são satélites ou companheiras da Via Láctea.

Os dois vizinhos mais próximos, referidos acima, foram apenas recentemente descobertos: a galáxia mais próxima, a anã de Cão Maior, descoberta em 2003, é uma galáxia quase despedaçada, em que o seu núcleo encontra-se a 25 000 anos-luz de nós e a cerca de 45 000 anos-luz do Centro Galáctico. A segunda é SagDEG (galáxia elíptica anã de Sagitário), a 88 mil-anos luz de e uns 50 000 anos-luz do Centro Galáctico.

Estas duas anãs estão atualmente em "encontros imediatos" com a nossa Galáxia e várias secções das suas órbitas estão situadas bem dentro do volume ocupado pela Via Láctea. São seguidas em distância pelas mais inequívocas Grande e Pequena Nuvens de Magalhães, a 160,000 e 200,000 anos-luz, respetivamente.

Os braços espirais da Via Láctea contêm matéria interestelar, nebulosas difusas, e jovens estrelas e enxames estelares abertos que emergem desta matéria.

Por outro lado, o bojo consiste de estrelas velhas e contém a maioria dos enxames globulares; a nossa Galáxia tem à volta de 200 globulares, dos quais conhecemos cerca de 150.

Estes enxames globulares são fortemente concentrados na direção do Núcleo Galáctico: a partir da sua distribuição aparente no céu, Harlow Shapley concluiu que este centro da Via Láctea situava-se a uma distância considerável (que exagerou em fatores) na direção de Sagitário e não tão perto, como se pensava anteriormente.

O nosso Sistema Solar está por isso situado nas regiões exteriores desta Galáxia, bem dentro do disco e a apenas cerca de 20 anos-luz do plano equatorial simétrico mais a aproximadamente 28 000 anos-luz do Centro Galáctico. Por isso, a Via Láctea aparece como uma banda luminosa que se estende por todo o céu ao longo deste plano simétrico, que também é chamado de "Equador Galáctico".

O seu centro situa-se na direção da constelação do Sagitário, mas muito perto das fronteiras dos dois vizinhos Escorpião e Ofiúco.

A distância de 28,000 anos-luz foi recentemente (1997) confirmada por dados do satélite da ESA Hiparco.

Outras investigações publicadas posteriormente disputaram este valor e propõem um mais pequeno de 25,000 anos-luz, com base na dinâmica estelar; uma investigação recente (McNamara et. al 2000, com base nas variáveis RR Lyrae) propõe um número de 26,000 anos-luz. Estes dados, tendo em conta a sua importância, não afetariam diretamente os valores para as distâncias de objetos em particular, seja dentro da Via Láctea ou para fora.

O Sistema Solar está situado dentro de um braço espiral mais pequeno, chamado Braço Local ou Braço de Orionte, que é uma mera ligação entre os braços mais massivos interior e exterior, o Braço de Sagitário e o Braço de Perseu.

Semelhantes a outras galáxias, ocorrem supernovas na Via Láctea em intervalos irregulares de tempo. Se não se encontrarem demasiadamente obscurecidas pela matéria interestelar, podem ser e têm sido observadas como eventos espetaculares a partir da Terra. Infelizmente, nenhuma ocorreu desde a invenção do telescópio (a última supernova observada na nossa Via Láctea foi estudada por Johannes Kepler em 1604).

Fotografia panorâmica de 360º da Via Láctea
Fig. 2. - Fotografia panorâmica da Via Láctea, vista do nosso Sistema Solar

Origens e evolução histórica

O filósofo grego Demócrito propôs que a faixa brilhante no céu noturno, conhecida como a Via Láctea, deveria consistir num conjunto de estrelas distantes. Aristóteles entretanto, acreditava que a Via Láctea fosse causada pela “ignição da abrasadora exalação de algumas estrelas que eram grandes, numerosas e próximas” e que “a ignição ocorre na parte superior da atmosfera, na região do mundo que está continuamente com os movimentos celestiais.” Muitos outros mostraram determinação em compreender e descrever a Via Láctea.

A confirmação de que Via Láctea consiste num aglomerado de muitas estrelas surgiu em 1610, quando Galileu Galilei a observou com uma luneta e descobriu que ela era composta por um enorme número de estrelas fracas. Em 1750, Thomas Wright, na sua obra “Uma teoria original ou nova hipótese sobre o Universo”, especulou (corretamente) que a galáxia deveria ser um corpo em rotação de um grande número de estrelas mantidas juntas por forças gravitacionais, de forma similar ao Sistema Solar, mas numa escala muito maior. O disco de estrelas resultante pode ser visto como uma faixa no céu devido à nossa perspetiva de dentro do disco.

A primeira tentativa de descrever a forma da Via Láctea e a posição do Sol nela foi realizada por William Herschel em 1785, pela contagem cuidadosa do número de estrelas em diferentes regiões do céu. Ele construiu um diagrama da forma da galáxia, com o Sistema Solar próximo do centro. Utilizando uma abordagem refinada, Jacobus Kapteyn chegou em 1920 à figura de uma pequena (diâmetro de cerca de 50 anos-luz) galáxia elipsoide, com o Sol próximo do centro.

Um método diferente por Harlow Shapley, baseado na catalogação de aglomerados globulares, levou a um desenho radicalmente diferente: um disco plano com diâmetro de aproximadamente 228 mil anos-luz e o Sol distante do centro.

As duas análises falharam por não levarem em consideração a absorção da luz pela poeira interestelar presente no plano galáctico, mas depois que Robert Julius Trumpler quantificou este efeito em 1930 pelo estudo de aglomerados abertos, surgiu o atual desenho da Via Láctea.

Referências:

Wikipédia - Galáxia

ccvalg - Via Láctea